sexta-feira, 22 de outubro de 2021

No dia em que eu partir

No dia em que eu partir
Uns dirão que me amam
Outros que me odeiam
Um adeus aos que longe estão
Um adeus aos que me rodeiam

Não chore por assim me ver
Afinal, um dia teria de partir
É verdade que não voltarei a viver
E nem voltarei a sorrir

João Ramalheira
22.10.2021

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

Sonhei que tinha morrido

Sonhei que tinha morrido
E estava deitado dentro de um caixão comprido
De olhos cerrados e mãos ao peito
Fiz de um tumulo meu ultimo leito

Comigo nada levo
Nem para onde fui nem para onde vou
Se com nada ao Mundo vim
Com nada do Mundo me vou

Triste, escura e sombria
De certo esta é a sensação
Daqueles que como eu
Entre quatro tábuas estão

João Ramalheira
21.10.2021

sábado, 16 de outubro de 2021

Cais da Madrugada

 Cheguei ao Cais da Madrugada
Estava frio e a água gelada
Um nevoeiro cobria a estrada
Estava sozinho na madrugada

E eu fiquei ali sentado
A ver-te passear do outro lado
Já não me sentia mais amado
Estavas com outro ali ao lado

Foste embora e fiquei ali
Sozinho no cais a pensar em ti
Deixei-te escapar por entre os dedos
Foste embora com os meus segredos

João Ramalheira
16.10.2021

domingo, 2 de maio de 2021

Onde estás meu amor

 Onde estás meu amor
Que não te encontro
Eu queria te encontrar
Para te falar e dizer-te
Como eu te amo
Quando eu te encontrar
Vou-te perguntar
Se ainda me amas

Ai como é bom gostar de alguém
Viver, sonhar
Ai como é bom gostar de alguém
Viver, amar
Ouvi dizer que sou feliz
Como ninguém
Com as nossas bocas bisábis
Dizer-te, ai como é bom gostar de alguém

Rosa Maria Figueiredo
2011


quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Canção do Mar

Ílhavo heroico poema,
Escrito, em sangue no mar!
Tua canção é um tema
Que todos sabem cantar.

Terra de heróis marinheiros,
De heroísmo sem igual!
Sempre honrando em seus veleiros,
O nome de Portugal.

Marinhas, sol, tricaninhas
Azenhas sempre a chorar…
Os sinos das capelinhas
Chamam o povo a rezar.

Ria sonhadora e esquiva,
Que o mar não sabe entender!
É ele quem lhe dá vida
No mar ela vai morrer.

Morre o sol, lá no poente
Num adeus emocionante…
Diz adeus, chorando, à gente
Beijando o mar soluçante.

Ílhavo meu lindo amor,
Noiva linda dos poentes…
Brilhas e não tens fulgor,
Não tens coração e sentes…

Moliceiros aprumados
Lembram gaivotas, voando…
São barcos estilizados,
Ninfas esbeltas sonhando.

Céu azul, noites serenas!
Ao longe, bramindo o mar!
Canais, planuras amenas,
Velas, ao longe, a acenar.

João Marques Ramalheira
1959


No dia em que eu partir

No dia em que eu partir Uns dirão que me amam Outros que me odeiam Um adeus aos que longe estão Um adeus aos que me rodeiam Não chore por as...